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CEOs extrovertidos podem prejudicar os negócios

· Clipping

Barbara Bigarelli | Valor Econômico

Pesquisa mostra que o custo de capital é maior sob o comando de gestores menos reservados.

Pesquisas já analisaram a importância da personalidade de um CEO para influenciar políticas, cultura e resultados das empresas. Duas delas, de 2018, mostraram que presidentes extrovertidos são mais propícios a se engajar em transações de fusões e aquisições e que esse perfil de liderança pode ser sinônimo de salários maiores e de mais convites para participar de conselhos. Ser carismático e sociável, porém, não gera só efeitos positivos.

Uma pesquisa recente , coordenada por Biljana Adebambo, professora associada de finanças da Universidade de San Diego, mostra “o lado negativo” do CEO com uma personalidade extrovertida. Empresas de capital aberto lideradas por executivos extrovertidos têm um custo maior de capital próprio do que empresas similares comandadas por CEOs menos extrovertidos. O custo de capital é uma ferramenta importante para medir a saúde financeira porque influencia como investidores avaliam a companhia e como a situação atual pode impactar na lucratividade de projetos futuros. Foram utilizados os mesmos critérios para calcular esse risco – a variável foi a “extroversão” dos CEOs.

Para definir quanto cada presidente era extrovertido, os pesquisadores usaram um algoritmo de linguagem para analisar seu modo de falar durante a seção de perguntas (Q&A) das conferências, momento em que a fala é “teoricamente” não ensaiada. Foram analisados 76,815 transcrições de conferências de balanços de 1,936 empresas listadas no S&P 1500, em um período de dez anos (2004 a 2013). A amostra final inclui observações de 1,878 CEOs com uma média de idade de 55,4 anos. Depois, as pontuações de extroversão de cada presidente foram comparadas aos custos de capital de suas respectivas empresas.

A equipe de Biljana descobriu uma variação de 0,35% no custo de capital ao ano para cada variação no padrão de extroversão. As empresas com CEOs extrovertidos assumem mais riscos e desfrutam de capital organizacional mais alto – cada um desses indicadores está associado a um maior custo de capital. Empresas com CEOs extrovertidos também exibem menor valuation e baixa emissão de ações. A ligação entre extroversão do presidente e custo de capital fortalece-se a medida em que o mandato se estende – sugerindo que o CEO extrovertido não escolhe trabalhar somente em empresas mais ousadas ou que as companhias que tomam mais riscos optem por presidentes mais “carismáticos”.

Na conclusão do estudo, Biljana ressalta que as descobertas levam reflexões importantes para conselhos e comitês de executivos – muitos dos quais buscam uma liderança mais carismática. “Os conselhos tentam recrutar CEOs extrovertidos porque acham que assim podem motivar os funcionários”, diz a professora. Em vez disso, “eles devem considerar não apenas os custos diretos para acionistas de uma contratação, como pagamento de benefícios, mas também os custos indiretos que ela pode gerar”.

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