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Conta própria e intermitente devem manter relevância

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Thais Carrança | Valor Econômico

Para especialistas, novas formas de ocupação deixaram de ser uma consequência do desemprego

Novas tendências de ocupação, como o trabalho por conta própria e o emprego formal intermitente ou com jornada reduzida devem se manter relevantes no próximo ano, mesmo com a melhora esperada da atividade, avaliam especialistas em mercado de trabalho.

O número de pessoas trabalhando por conta própria cresceu 6,9% entre outubro de 2017 e igual mês de 2019, para 24,4 milhões, enquanto a população ocupada em geral aumentou 3,1% no mesmo período. Os trabalhadores por conta própria representavam em outubro 26% da população ocupada brasileira, nível recorde.

“O crescimento do conta própria no Brasil já deixou de ser uma consequência do desemprego”, diz Carlos Henrique Corseuil, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo ele, dois fatores explicam o crescimento mais recente dessa forma de ocupação: a permissão para terceirização de atividades-fim e a “economia de aplicativos”, particularmente no setor de transporte e entregas.

“A tendência é que o crescimento do conta própria devido a esses dois fatores continue, talvez com a preponderância do elemento tecnológico”, diz Corseuil.

Já Luka Barbosa, do Itaú, avalia que há de fato uma mudança estrutural que resulta em uma maior participação da ocupação por conta própria, mas que os níveis atuais de informalidade e trabalho autônomo não devem se manter. “Os níveis atuais se devem à fraqueza econômica que vemos desde 2015”, avalia. Segundo ele, isso fica evidente diante do ainda elevado número de pessoas que dizem trabalhar menos do que gostariam – 7 milhões em outubro deste ano.

“Se esse emprego informal fosse um novo equilíbrio e as pessoas estivessem satisfeitas nessa ocupação, elas não estariam respondendo para o IBGE que estão trabalhando menos horas do que gostariam”, pondera Luka.

Para Cosmo Donato, da LCA Consultores, as contratações formais com jornada reduzida devem continuar fortes nos próximos anos, como resultado da reforma trabalhista, com a regulamentação de categorias como o trabalho temporário e intermitente.

“Com a gradual redução da insegurança jurídica, essa modalidade deve continuar bastante forte, mas ela pode perder participação, porque deve haver geração mais forte de vagas de tempo regular”, diz Donato. Segundo estudo do Bradesco, em 12 meses até outubro, das 492 mil vagas com carteira criadas, 133 mil (27%) tinham jornada de até 20 horas semanais.

Para Daniel Duque, do Ibre-FGV, o emprego intermitente e com jornadas reduzidas é uma tendência. “Há um movimento mundial de aumento desse tipo de trabalho, independentemente da atividade”, observa Duque.

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