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Estimular cooperação entre gerações pode minimizar conflitos no ambiente de trabalho

· Clipping

Breno Paquelet | O Estado de São Paulo

Programa de mentoria mútua ou reversa, em que os profissionais mais velhos dão mentoria e são mentorados pelos mais novos, pode ajudar no entendimento das gerações, diz especialista em artigo.

Estamos participando de um momento único no mercado de trabalho. Pela primeira vez, temos cinco gerações convivendo nas empresas ao mesmo tempo. Gerações que diferem, principalmente, pelas tecnologias existentes durante sua formação e sua atuação no mercado. Há desde uma geração que viu o fax surgir como uma revolução até outra que nunca ouviu falar dele. Gerações que viram a informação ser tratada como ouro e outras que estão acostumadas a tê-la quase instantaneamente, nos seus smartphones. Gerações que sempre viveram sem internet, e outras que não conseguem ficar sem ela por um minuto.

A similaridade absoluta entre os membros de cada geração, na minha opinião, se resume ao aspecto tecnológico: todos tiveram acesso ao mesmo nível de tecnologia em cada etapa da vida. A partir daí, qualquer rótulo de geração mais atrapalha do que ajuda. Como posso colocar no “mesmo saco” pessoas que nasceram em Estados diferentes, que foram criadas por famílias totalmente diferentes, com visões de mundo totalmente diferentes, com sonhos, medos e ideologias distintas, simplesmente por terem nascido na mesma década?

Quando se fala em geração X, Z, millenials e qualquer outro termo, passamos a enxergar uma pessoa representando milhões de indivíduos. E de forma oposta, ao entrar em uma única sala de universidade, de 50-100 pessoas da mesma geração, vejo tanta diversidade. O que é bom!

Como então fazer com que diferentes gerações convivam no mesmo ambiente profissional? O primeiro passo é tratar cada pessoa individualmente. Esquecer o ano em que ela nasceu para definir suas capacidades. O segundo passo é entender que a diversidade de pensamento é positiva e promove soluções mais completas – mas ela não significa que as pessoas tenham visões completamente incompatíveis. Toda diversidade possui algum ponto de similaridade, mesmo que seja: todos buscamos o melhor para a empresa – mesmo que por caminhos diferentes.

O terceiro, e mais importante, é estimular o diálogo entre as gerações. Ao se comunicarem, elas descobrirão seus pontos de similaridade e entenderão de onde surgem as divergências de pensamento. As opiniões de cada pessoa refletem a forma como ela enxerga o mundo, que é influenciada pela sua criação, sua formação e suas experiências. E o grande ganho para as empresas, ao fazer com que as gerações conversem, se respeitem e trabalhem juntas, é conseguir promover ações aplicáveis no dia a dia.

Se os problemas atuais são cada vez mais complexos, por que acreditar que apenas uma visão será suficiente para resolvê-los? Ao combinar a habilidade tecnológica de um com a inteligência emocional do outro, com a criatividade, resiliência e experiência de outros, soluções mais viáveis tendem a aparecer.

Uma prática que vem sendo utilizada por algumas empresas para estimular a cooperação entre gerações é o programa de mentoria mútua ou reversa, em que os profissionais mais velhos dão mentoria e são mentorados pelos mais novos. Quando bem conduzido, isso costuma gerar entendimento mais amplo sobre as particularidades das gerações, reforçando traços individuais e evitando estereótipos.

(*) Breno Paquelet é especialista em negociações estratégicas pela Harvard Business School, com educação executiva em estratégia empresarial no Massachusetts Institute of Technology (MIT). É professor do MBA em gestão empreendedora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor convidado da Casa do Saber/RJ.

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