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Fracassar no início da carreira ajuda a ter sucesso no futuro

· Clipping

Barbara Bigarelli | Valor Econômico

Estudo de Kellogg analisou trajetória de cientistas e mostra que aqueles que perderam uma bolsa no início de carreira foram bem-sucedidos nos dez anos seguintes.

“A ideia de que um fracasso nos fortalece é geralmente um tipo de conselho que nos é dado quando enfrentamos situações difíceis. Mas há alguma verdade nisso?”. Esse era o questionamento de Benjamin F. Jones, professor de estratégia de Kellogg, quando começou um estudo ao lado de Dashun Wang, professor associado de gestão da instituição de negócios americana.

Eles analisaram 1000 cientistas em início de carreira nos Estados Unidos que ganharam ou estiveram próximos de ganhar uma bolsa do National Institutes of Health (NIH) para pesquisa. Particularmente, aqueles que aplicaram para o programa R01, o mais antigo e tradicional do NIH, concedido a pesquisadores em início de carreira na área de biomedicina. Foi possível medir quem “quase passou” porque a avaliação dos candidatos confere a eles uma pontuação e, dependendo da quantidade de financiamento disponível, o NIH determina uma nota de corte. A amostra incluiu as informações de 779,219 aplicações enviadas entre 1990 e 2005 e os pesquisadores dividiram em dois grupos: aqueles que quase atingiram a nota de corte e aqueles que a ultrapassaram por pouco.

A primeira constatação foi que ambos os grupos eram semelhantes em vários aspectos, como tempo de atuação, número de artigos publicados e de citações. “Em outras palavras, a única diferença significativa em suas carreiras naquele momento era que aqueles que ganharam por pouco a bolsa receberam US$ 1 milhão do NIH para pesquisa. A pergunta então que passamos a fazer foi: qual a diferença que esse dinheiro fez dez anos depois?”, explicou Wang em artigo publicado no site de Kellogg.

Foi quando eles analisaram para onde foi a carreira uma década depois de 623 cientistas que quase ganharam a bolsa com 561 que ganharam por pouco. Os resultados mostram que os profissionais que perderam a bolsa conquistaram, na média, uma produção de alto impacto comparada à seus pares que haviam recebido o dinheiro. A despeito do financiamento ao segundo grupo, todos os cientistas apresentaram uma taxa de publicação semelhante. Mais surpreendente, segundo os pesquisadores, foi descobrir que o primeiro grupo – “o do quase” – era mais propenso a ter artigos com mais citações.

Segundo os pesquisadores, o estudo demonstrou que ser exposto a um fracasso ou a uma perda de oportunidade no início da carreira pode ajudar a desenvolver o sucesso futuro. “No longo prazo, os perdedores acabaram se saindo melhor”, disse Wang. Ao cruzar vários cenários, os resultados indicaram que a experiência da adversidade, com o fracasso, contribuiu para motivar os cientistas a melhorarem – e não os prejudicou para que conquistassem resultados de impacto nos anos seguintes.

Uma das hipóteses levantadas por Wang e Jones é a de que o grupo “do quase” pode ter se saído melhor porque, com a não aprovação, acabaram buscando colaboradores mais influentes, mudaram de instituição, começaram a estudar um tópico diferente ou passaram a atuar em uma “área mais quente” de pesquisa.

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