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Insegurança prolongada no trabalho afeta a personalidade

· Clipping

Barbara Bigarelli | Valor Econômico

Profissionais que se sentem inseguros no trabalho, no longo prazo, podem se tornar desagradáveis, mais instáveis emocionalmente e ter maior dificuldade de se relacionar, segundo um novo estudo publicado no Journal of Applied Psychology. “Nós já sabemos as consequências no curto-prazo de insegurança no trabalho – ataca o nosso bem-estar, nossa saúde física e nossa autoestima", diz Lena Wang, professora da escola de negócios da RMIT University. "Agora, nós analisamos como as mudanças que um profissional vive ao longo dos anos, devido a essa insegurança, geram consequências que ele não imagina”.

Para medir isso, Lena e sua equipe recorreram a base de dados do HILDA (The Household, Income and Labour Dynamics in Australia), centro que reúne informações sobre a população australiana para direcionar cientistas, políticas públicas e economistas. Lá, havia questionários realizados com 1,046 profissionais em um período de nove anos, a respeito de quão seguros eles se sentiam com relação às suas posições e trabalhos.

Os pesquisadores também acessaram testes de personalidade realizados com essa amostra, a partir da metodologia big 5 (uma das técnicas mais utilizadas para avaliar as chamadas "cinco grandes dimensões" da personalidade: abertura a novas experiências, consciência, extroversão, amabilidade e instabilidade emocional).

Os resultados apontaram que pessoas expostas à insegurança no emprego por mais de quatro anos se tornaram menos estáveis emocionalmente, menos agradáveis e reduziram a conscienciosidade (habilidade de seguir regras e motivação para concluir tarefas). A influência negativa nesses três traços de personalidade, segundo os pesquisadores, afeta diretamente a maneira como as pessoas conquistam metas, se relacionam com outros e lidam com o estresse.

Os resultados também ajudam a desmistificar preceitos envolvendo insegurança, defende Lena Wang. Segundo a pesquisadora, há uma certa crença de que esse sentimento ajuda os trabalhadores a serem mais produtivos porque, seguindo essa teoria, eles trabalhariam mais para manter o trabalho. “Nós descobrimos que se a insegurança crônica, na verdade, leva as pessoas a diminuírem esforços e esquivar-se de construir relações mais fortes e positivas, o que pode minar sua produtividade no longo prazo”.

Estudos anteriores já relacionaram a insegurança ao desenvolvimento de doenças, físicas e mentais. Em 2016, um estudo realizado por Oxford com mais de 2,9 mil pessoas indicou que 32% temiam perder o emprego — sentimento ligado a novos contextos organizacionais e ansiedade causada pela mudança daquilo que é valorizado no trabalho. No Brasil, uma pesquisa divulgada no início deste ano indicou que 31,4% dos brasileiros têm medo de perder seu trabalho para a automação nos próximos cinco anos.

Uma forma de reduzir essa percepção negativa e, por consequência, se sentir mais seguro segundo Chia-Huei, é investir no desenvolvimento pessoal com treinamentos e adquirindo novas habilidades. Ou mesmo, dar uma nova direção na carreira.

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